Ações envolvem armazenamento de água, comitê de monitoramento da seca e urgência de um decreto estadual.

O deputado Ernani Polo participou na manhã dessa quinta-feira (06) de reunião para debater a situação da estiagem que se agrava no Estado. O encontro foi organizado pela frente parlamentar da Agropecuária Gaúcha e contou com a presença de diversas autoridades.

“Eu tenho andado pelo Estado e realmente, a situação é muito grave, as perdas já estão consolidadas. A chuva mesmo vindo agora não recupera muito daquilo que se perdeu. Na nossa propriedade que produzimos leite e grãos também estamos sentindo. É muito dramática a situação especialmente daqueles agricultores que tem na sua atividade principal o grão e a produção de leite porquê o insumo, a alimentação dos animais acabou se perdendo ou o que foi salvo a qualidade ficou muito baixa, isso vai comprometer imediatamente a produção de leite” afirma o deputado.

O parlamentar também entende que é necessário discutir a possibilidade de um decreto estadual para gerenciar a situação. “Isso daria mais agilidade e celeridade nos processos, já estamos com mais de 150 municípios em emergência, nesses próximos dias deve chegar rápido em mais de 200. As cidades estão sentindo os efeitos mais drásticos das perdas pela estiagem” explica Ernani Polo.

Outra medida que o deputado defende é a criação de um comitê de monitoramento da estiagem. “As reuniões da frente parlamentar são muito importantes, mas em todos os encontros o debate será repetitivo. Se implementarmos um comitê de monitoramento coordenado pelo governo do Estado e secretaria de agricultura, com a participação dos deputados e entidades, teremos assim uma ação coordenada, inclusive com relação à Brasília e movimentos que se fazem. A situação da estiagem exige ações emergenciais e estruturantes” destaca o deputado.

Ernani Polo também falou sobre a questão da armazenagem de água para mitigar o prejuízo causado pela seca e os detalhes para viabilizar essa solução. “Para avançarmos na irrigação, além de recursos para equipamentos precisamos do insumo básico que é água e energia elétrica, vamos focar na água. Nós temos mudanças climáticas e essa é uma realidade, eu protocolei uma proposta de projeto de lei que tramita na CCJ sobre armazenagem de água, as normas ambientais são complementares, nós temos a lei federal e os Estados podem complementar. No Rio Grande do Sul temos em torno de 1800mm por ano, isso dá 1,80m de água, isso esta vindo como um recurso natural, uma dádiva pra nós e a grande maioria dessa água está indo embora para o oceano, não estamos tendo a capacidade de armazená-la, porquê? Hoje você tem muita dificuldade de armazenar água em APPs, é um debate sobre a nossa legislação que deve ser feito com muita calma e transparência, é uma questão de racionalidade, nós segurarmos a água que vem como recurso natural. Na coxilha é difícil de armazenar água, uma chuva de 30mm você não consegue armazenar quase nada, ela escoa para as baixadas onde estão as APPs. É racional possibilitar armazenar água em uma APP, com regras e todo cuidado da proteção ambiental, e fazer no entorno do armazenamento uma nova APP, assim teremos água para fazer a irrigação, vamos estar protegendo o meio ambiente igual, mesmo que em alguns casos tenha que remover uma mata, mas estabelece que no entorno será feito uma nova mata ciliar, em alguns anos você terá água e mata ciliar protegida, o recurso natural da chuva ficará armazenado nesses locais, inclusive para manter fluxo de rios e riachos que existe e que muitas vezes na seca ficam comprometidos” detalha Ernani Polo.

O deputado também destaca o programa “Conservar para produzir melhor”, iniciativa feita durante sua gestão como secretário de agricultura do Estado. “A reativação do programa é uma ação fundamental para que possamos evitar uma queda brusca de produção em tempos de seca, o objetivo é a conservação e manejo dos solos visando fazer com que a água se infiltre mais no solo e tendo disponibilidade hídrica em caso de escassez de chuvas” afirma Ernani Polo.