Na tarde desta terça-feira (7), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo (PP) reuniu-se por videoconferência com representantes das empresas associadas ao Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), para ouvir os principais pleitos da cadeia produtiva do leite diante da crise gerada pelo coronavírus.

Como encaminhamento, o Sindicato se comprometeu a formatar documento com as principais demandas do setor para ser entregue à presidência da Assembleia Legislativa e encaminhado ao Governo do Estado. Será agendado também um novo encontro, com a participação do setor da proteína animal e representantes do sistema bancário.

Dentre as principais solicitações do setor estão o pedido de prorrogação do ICMS, a criação de uma linha de crédito para atender a cadeia diante da crise, além da preocupação com a falta de demanda por matéria-prima por parte das empresas e ainda com a negativação dos produtores e o perigo de desabastecimento.

O presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, informou que algumas empresas estão se vendo obrigadas a prorrogar títulos de clientes: “Eles pedem 90 dias para pagar e estamos dando 30. Precisamos de crédito e da garantia de que empresas e produtores não serão negativados neste momento”, explicou.

Ernani Polo sugeriu que, ao negociar com o sistema bancário, o setor solicite a prorrogação, pelo menos, de parte dos financiamentos, pois existem centenas de pedidos vindos de diversos setores com faturamento integralmente comprometido.

O deputado pontuou que a situação de enfrentamento ao coronavírus deixará muitos ensinamentos à população mas que, neste momento, é preciso estudar a retomada da atividade produtiva de forma gradual. “É uma situação difícil, não sabemos bem a abrangência dessa doença. O assunto se tornou uma polêmica entre vida, saúde e economia, virou um debate ideológico e até eleitoral. Se você fala de economia não está contra a vida e nem contra as pessoas”, alertou, lembrando que, apesar de o setor de alimentação estar operando, é complexo estimar o impacto futuro e o colapso capaz de ser causado pelo desabastecimento.

O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, acredita que é essencial estabelecer esse contato para alinhar as necessidades do setor produtivo e financeiro. “São nesses momentos que mais se precisa do apoio dos bancos. É uma travessia que vamos ter que fazer, cruzar a sanga funda. Temos que ter essa ajuda agora”, frisou Polo.

            Ao final de sua fala, o deputado Ernani Polo lembrou ainda da complexidade das cadeias produtivas: “São dezenas de setores que precisam estar em funcionamento para atender a sociedade em uma situação como esta. Não basta apenas o setor alimentício estar em andamento, se a logística, por exemplo, estiver parada e tantos outros segmentos que englobam o funcionamento do setor”, destacou.

DEMANDAS DO SETOR LACTEO – ENCAMINHADAS PELO SINDILAT E APIL

I) Prorrogação do ICMS competência março, abril e maio por 90 dias sem custo financeiro ou abertura de linha de crédito no Banrisul ou Badesul;

II) Linha de crédito para estocagem de queijo e manteiga com custos financeiros de crédito rural (1 ano de carência e 2 para pagar)

III) Recurso para capital de giro para empresas e produtores via Banrisul ou Badesul;

IV)Reabertura do segmento de Food Service, seguindo protocolo de segurança;

V) Reabertura de atividades comerciais, industriais e prestação de serviços não essenciais, seguindo protocolo de segurança;

VI) Programa estadual de distribuição de leite as famílias que recebem o bolsa família e pessoas que estão na faixa de risco para o Covid-19;

VII) Não cadastrar até 31 de julho de 2020 empresas e produtores rurais inadimplentes;

IX) Estudar a aquisição de produtos lácteos e derivados e repassados via banco de alimentos.

X) Direito a não estorno dos créditos presumidos, já que nossas vendas estão paradas.

*Com informações do Sindilat.