“Está na hora de darmos esse passo de deixarmos a vacina contra a aftosa de lado para atingirmos mercados maiores e nos tornarmos mais competitivos.” A opinião é do presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo, que participou, no fim da manhã deste sábado, do seminário “RS sem vacinação contra a febre aftosa”, durante o 33º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria, na região dos Campos de Cima da Serra.

O parlamentar defendeu o status livre de febre aftosa sem vacinação para o Rio Grande do Sul, ao comentar que se avançou após o estigma que se criou nos últimos 20 anos em relação à doença infecciosa que ataca bovinos. “Ainda estamos ligados àquele momento que passamos nos anos 2000, mas hoje conseguimos avançar muito. Ainda não chegamos ao ponto ideal, mas a qualidade foi muito elevada nesses últimos 20 anos”, afirmou Polo, que foi secretário da Agricultura do governo Sartori e ampliou as discussões sobre a retirada da vacinação com entidades e produtores, visando avançar no status sanitário.

O secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho, explicou o trabalho do governo do Estado para a evolução do status sanitário. Discutiu-se no evento o Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa, o compartilhamento de responsabilidades, o fortalecimento de parcerias entre os agentes envolvidos e o debate das condições sustentáveis de garantias do status livre de aftosa sem vacinação.

“A participação do presidente da AL aqui é muito importante, pois mostra o trabalho alinhado dos poderes do estado para trazermos mais desenvolvimento ao RS”, destacou Covatti, ao lado de Polo e do vice-presidente da Farsul (Federação da Agricultura do RS), Elmar Konrad.

A Secretaria da Agricultura apresentou, no fim de janeiro, as ações que deverão ser tomadas para que o Rio Grande do Sul possa evoluir o status sanitário para zona livre de aftosa sem vacinação. As medidas seguem 18 recomendações apontadas pelo Ministério da Agricultura no relatório da auditoria realizada em setembro passado.

Entre as recomendações do Mapa está a reorganização do quadro de pessoal para que os fiscais agropecuários sejam retirados de atividades administrativas e se dediquem integralmente à fiscalização e a atualização da frota de veículos da Secretaria da Agricultura. As outras recomendações incluem modernização e ajuste do Sistema de Defesa Agropecuária, padronização no cumprimento da legislação, incremento da fiscalização volante, elaboração de estratégia para funcionamento dos postos fiscais, incremento na fiscalização de eventos com aglomeração de animais, cumprimento de metas dos programas de sanidade animal, atividades de educação em saúde animal e maior participação do serviço veterinário oficial nas ações do SUS.

Até o momento, no Brasil apenas os estados de Santa Catarina e Paraná conquistaram o status sanitário de zona livre de aftosa sem vacinação.