Artigo do presidente da Assembleia Legislativa do RS publicado no jornal Zero Hora de sexta-feira, 24 de abril de 2020

Desde o começo da pandemia do novo coronavírus, a Assembleia Legislativa apoiou as medidas sanitárias e colaborou na conscientização da população sobre as práticas de proteção à saúde. Além disso, procuramos cumprir aquela que é a mais valiosa característica da nossa casa parlamentar em seus 185 anos de atuação: a capacidade de estar próxima e de ouvir a sociedade que representa. Ao lado do enfrentamento do vírus, sabíamos, desde o primeiro momento, que seria preciso cuidar da estabilidade social e econômica do Rio Grande do Sul. E cabia – como ainda cabe – fazer isso com equilíbrio, de modo a preservar a vida das pessoas e, ao mesmo tempo, manter a ativação dos setores produtivos. A propósito, sempre rejeitamos a falsa dicotomia que se estabeleceu entre esses objetivos.

Criamos, então, o Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico do Rio Grande do Sul. Os deputados passaram a ouvir produtores, trabalhadores, empreendedores, especialistas, líderes setoriais e diversas pessoas para encontrar os melhores caminhos. Foram dezenas de reuniões virtuais e centenas de participantes. Colhemos sugestões, organizamos materiais, contribuímos com propostas e estabelecemos diálogos elevados e construtivos, sem deixar que o confronto político nos tirasse do foco. A pedido do Fórum, a Fecomércio elaborou um protocolo de procedimentos, entregue ao governador no dia 07 de abril, propondo um retorno responsável, gradual e regrado, sempre preservando a saúde e a vida de todos – algo que está se materializando.

A divergência é da essência do parlamento. Mas, em momentos de crise, em que o verdadeiro inimigo é um vírus, precisamos ativar nossas convergências. O momento que estamos vivendo requer, acima de tudo, muito equilíbrio. Podemos discutir e até divergir, mas jamais nos dividir. Para tanto, essa abertura, esse diálogo, essa capacidade de ouvir deve continuar presente em todas as nossas atitudes. Só chegaremos às melhores respostas e às soluções mais adequadas se tivermos essa proximidade com a sociedade. Modernamente muitos chamam a isso de empatia. Pode ser, mas eu prefiro chamar também de democracia. 

Deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa