Venho lá de longe, venho lá de fora. Fui forjado trabalhando no campo, de sol a sol, plantando e colhendo – e, muitas vezes, até plantando sem colher (inclusive como está acontecendo agora, em virtude da estiagem – motivo pelo qual me solidarizo com os agricultores gaúchos, que perderam sua produção pela falta de chuva). O campo me ensinou que precisamos fazer da melhor maneira possível aquilo que está ao nosso alcance. E é nesse trabalho sério e realista que queremos aprimorar ainda mais o vínculo da Assembleia com a sociedade gaúcha.

Ao subir nesta tribuna, de um poder de Estado, quero lembrar, antes de tudo, da essência da nossa missão: a representação popular. Nós, deputados, somos quadros políticos singulares, mas estamos aqui em nome da sociedade gaúcha – que é plural, diversa e ampla. Acima de nossas individualidades, vem o interesse público!

Estamos aqui em nome de gente de verdade; em nome de causas e de valores que nos unificam para além das nossas divergências. Estamos aqui em nome do nosso amado Rio Grande do Sul, cuja história precisamos honrar.

Nos últimos anos, aprendemos que as instituições precisam melhorar a conexão com a sociedade – com a vida real, com as dores das pessoas, os medos, as necessidades e também com os sonhos.

No Rio Grande do Sul, sempre buscamos essa conexão. Governos e parlamentares, ao seu tempo e ao seu modo, deram suas contribuições. Temos muitas heranças positivas a celebrar. Porém, o fenômeno da mudança também precisa ser pedagógico para nós, pois só a autocrítica produz transformação.

Os poderes, por muito tempo, se mantiveram em castelos verticais, enquanto a sociedade ficava cada vez mais horizontal e plana. As redes sociais revolucionaram a comunicação entre todas as camadas da sociedade, dando voz ao cidadão; as instituições evoluíram, mas ainda seguem fechadas na cultura do carimbo e na burocracia.

Criou-se um enorme descompasso entre o que queria a sociedade e o que entregavam os poderes. Poderes, aliás, que precisam compreender-se como parte de um todo – autônomos e independentes, sim; mas a serviço da sociedade, e não o contrário.  

Estamos aprendendo na marra a calibrar expectativas. A lógica da esperança depositada apenas no Estado, “do dinheiro que dá em árvore”, do assistencialismo, está dando lugar ao protagonismo das pessoas, das famílias, das comunidades, do cooperativismo social, do empreendedorismo, da livre iniciativa e da coparticipação.

É um novo momento, é uma nova consciência, é um novo ciclo. E, principalmente, é uma grande oportunidade!

Mas que ninguém espere milagre, que ninguém espere ideias redentoras, que ninguém imagine soluções mágicas. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul tem um dever para com a realidade da nossa cultura, para com a verdade dos números e para com as possibilidades do cofre. Só pode mudar a realidade quem a conhece.

Não se trata de pessimismo. Pelo contrário: é questão de colocar a mão na massa. Por isso, escolhemos como tema central da nossa gestão o estímulo à COMPETITIVIDADE.

Alguém pode até estranhar que a Assembleia traga essa pauta como prioridade. Nosso objetivo é que o Parlamento, sem desmerecer o bom debate democrático, esteja também próximo da economia e de mudanças que gerem resultado no dia a dia da sociedade.

Uma das nossas metas centrais, em plena era digital, é diminuir a burocracia e estimular a simplicidade. Acredito firmemente que, muitas vezes, as grandes mudanças nascem de ideias simples. Como disse Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

 A pergunta, caros colegas deputados, é a seguinte: o que a Assembleia pode fazer, na prática, para melhorar a competitividade do Rio Grande do Sul?

 Vamos mapear desafios e estabelecer indicadores objetivos para medir nosso trabalho. Onde, o quê, como e em quanto tempo podemos ajudar nesse sentido? Que legislação ainda precisa ser modernizada? Em que causas precisamos nos envolver politicamente para estimular o desenvolvimento? O que ainda precisa ser modernizado na estrutura do Estado? O que está ao nosso alcance? O que depende de nós na prática?

Para promover o equilíbrio das contas públicas, além de diminuir o custo da máquina, precisamos aumentar a receita – e isso significa desenvolvimento. O melhor remédio para resolver os problemas estruturais do Rio Grande, inclusive o de salários, atende pelo nome de progresso.

Senhoras e senhores, o Brasil desenha um viés de crescimento, e o Rio Grande precisa sair na frente nessa nova fase. A competitividade de um Estado é determinante para a capacidade de atrair investimentos e gerar novos negócios.

O ranking anual do Centro de Liderança Pública (CLP) mostrou o Rio Grande do Sul caindo no âmbito geral de competitividade, com diversos indicadores muito abaixo da média nacional – enquanto outros estados têm um ritmo mais forte de crescimento. Estamos, por exemplo, na 27ª posição em solidez fiscal, na 18ª posição em infraestrutura e na 11ª em educação – três áreas que têm muita importância na decisão de investimentos.

Mas apenas lamentar não vai tirar o Rio Grande do Sul da crise. Nem as fórmulas mágicas farão isso. Muito menos as demagogias e os discursos fáceis. Nós precisamos acreditar e fazer. Arregaçar as mangas e correr atrás, um passo depois do outro. É preciso ter atitude!          

A atitude muda o mundo. Precisamos de atitude dos políticos, mas também dos demais atores. Atitude de quem tem consciência, de quem tem redes, de quem forma opinião. Atitude, enfim, será o mantra da Assembleia no ano de 2020. E – por que não? – que seja o mantra do Rio Grande inteiro!

A pauta da competitividade precisa unir setor público e iniciativa privada em torno de um modelo que eu chamo de “Ecossistema Empreendedor”. Vamos trabalhar de forma integrada com os demais poderes, fazer uma articulação com propósitos claros pelo Rio Grande de todos nós. Trago minha experiência como secretário da Agricultura, onde conseguimos unir todo o setor em favor de pautas relevantes.

Perdoe quem possa discordar, mas, mesmo em um tempo de extremismo, de exibicionismo e de intolerância, eu sigo acreditando na moderação como força construtora do bem comum. Juntos, somos muito mais fortes. E a crise precisa despertar esse espírito aglutinador, solidário e fraterno entre nós. Assim como na vida da gente, é nas horas de dor e dificuldade que as pessoas mais se unem em nome de um bem maior.

Meus amigos, é tempo de recuperar a boa política, o bom diálogo, a boa construção. Mas queremos debater para alcançar resultados, não para ficar sempre no mesmo lugar – em dilemas intermináveis. Não agradaremos a todos, mas realizaremos muito se o interesse público estiver verdadeiramente acima dos interesses pessoais. E nas lutas aqui no estado, em Brasília, ou em missão, governador Eduardo Leite, pode nos chamar: sempre que o Rio Grande precisar, a Assembleia Legislativa não faltará!

Há motivos de sobra para acreditar em nosso Estado. Nosso povo tem uma rica miscigenação étnica. Temos um solo fértil, um clima como em poucos lugares do mundo e uma cultura de amor ao trabalho. Nossa agropecuária é vasta e diversificada. O comércio, a indústria, os serviços, os polos de inovação, a saúde, o turismo, enfim, virtudes e potenciais não nos faltam para irmos em frente. Somos um povo empreendedor!                 

Temos que avançar, isto sim, é na nossa cultura política: pensar grande e agir mais rápido. Deixar os desentendimentos no terreno da política partidária e elevar as convergências ao terreno da ação pragmática. Brigar menos e fazer mais. Valorizar mais o positivo ao invés do negativo, as virtudes ao invés dos defeitos, as fortalezas ao invés das fraquezas. Cultivar o elogio no lugar de tanta crítica, o incentivo no lugar de tanto pessimismo, a parceria no lugar de tanto individualismo.

Estão aqui conosco, diversos governadores, que muito nos honram com sua presença e que contribuíram para o crescimento de nosso estado.

E neste sentido, relembro, inclusive, um fato histórico, quando da conquista do Polo Petroquímico, uma das nossas principais potências econômicas. Isso só foi possível, devido a superação das divergências políticas.

Contamos aqui com a presença, de um dos líderes que ajudou neste movimento, o ex governador, na época deputado estadual, Pedro Simon. E que agora, governador Eduardo Leite, nos propõe um grande movimento pelo ressarcimento da Lei Kandir.

Contem conosco nesta luta!

E vamos além! Há um acerto de contas a ser feito. Nos créditos previdenciários por exemplo.

Não se pode deixar viver a ideia de que apenas o Rio Grande deve à União. A União também tem débitos com nosso povo.

Somos todos gaúchos e vamos lutar e defender os interesses do nosso estado!!

Podemos até estar em vagões diferentes, mas todos estamos no mesmo trem e na mesma viagem – e é para frente que precisamos ir!

Cito um exemplo atual: os presidentes do Internacional e do Grêmio estão dando uma aula de relacionamento institucional. Disputam em campo, mas irmanam os clubes fora das quatro linhas. Na noite mais fria de 2019, numa atitude solidária e conjunta, os dois clubes deram alimento e abrigo para pessoas carentes. Quando adversários se dão as mãos e lutam pelos mesmos objetivos, significa que a solidariedade está acima da rivalidade. É isso, esse é o Rio Grande que queremos!

Precisamos superar tanta desconfiança – das pessoas entre si, das instituições, dos poderes e das organizações sociais. Não é desconfiando mais que nós vamos avançar. É confiando mais que vamos crescer e nos desenvolver. Precisamos acreditar mais uns nos outros; acreditar mais em quem quer empreender. O princípio da boa-fé deve nos guiar. Que o nosso bairrismo, tão criticado, seja transformado em confiança: gaúchos confiando mais em gaúchos!

Podemos até pensar diferente como políticos, mas nada impede que caminhemos juntos como gaúchos – como família.

Estamos cansados de empilhar problemas. Chegou a hora, e já começamos, a empilhar soluções. Nesse sentido, estaremos ao lado das pautas de recuperação do nosso Estado e buscando soluções para promover o desenvolvimento econômico e social para os mais de 11 milhões de gaúchos.

O Rio Grande do Sul não pode ser a terra daqueles que puxam pra trás. Chega! É hora de voar – de encarar o mundo, ver a vida num sentido mais amplo, tomar decisões e correr atrás dos objetivos. Falar bem do nosso Estado! Chegou a hora de purificar as mentes, de mudar os modelos e de tomar um banho de positividade e solidariedade.

O paradoxal é que somos, especialmente no agro, exemplo para o país. De Sul a Norte, o desenvolvimento brasileiro tem as mãos de gaúchos. Temos uma escola de progresso dentro de casa – e precisamos parar de perder talentos. Atrair investimentos de fora, sim, mas antes manter o que já temos e incentivar a evolução das cadeias produtivas locais em todas as áreas.

Não desejo um parlamento apolítico ou acrítico, não é isso. Temos aqui neste plenário colegas determinados e atuantes nas mais diversas áreas. Desejo um parlamento que, tal qual a sociedade, coloque a mão na massa todos os dias. Que efetivamente sinta e responda às ruas, dentro dos limites da lei. Que oferte soluções práticas. Que faça acontecer!

Isso está acima de nossas escolhas ideológicas. Isso é amar o Rio Grande e respeitar a missão de representar que nos foi conferida pelas urnas.

O movimento CresceRS e a campanha Valores que Ficam presidente Lara, são grandes exemplos do quanto podemos ser úteis. Vamos manter e aprimorar essa iniciativa, dentro da cultura de continuidade, que precisamos adotar em todas as nossas instituições. E detalhe: não vou mudar de nome só para chamar de meu; não tem nada mais atrasado do que isso! Os programas são nossos, dos gaúchos – e assim continuarão.

A propósito, parabenizo a gestão que se encerra, sob a presidência do deputado Luís Augusto Lara, pelo trabalho profícuo, equilibrado e compartilhado na Mesa Diretora. Em nome dos demais deputados e de todos os gaúchos, receba nossos cumprimentos e nosso muito obrigado.

Também destaco a importância da gestão compartilhada que estamos realizando, em um trabalho conjunto, além do deputado Lara, com os deputados Gabriel Souza e Valdeci Oliveira, que nos sucederão.

Com o empenho e o esforço da nossa equipe de gestão, faremos de tudo para que cada colega parlamentar possa desempenhar o mandato da melhor forma possível. Seguiremos valorizando e reconhecendo a importância dos servidores para o bom funcionamento da Casa.

Caros colegas, população gaúcha: é assim que vou chegando… Venho com a simplicidade da terra, mas desejo cultivar a abertura do ar, a conexão das águas e a energia do fogo! É nisso que acredito, é assim que sou: venho do chão, venho da base, venho de perto das pessoas. Mas sei que precisamos ter os olhos voltados para um mundo digitalmente transformado, com mente aberta e coração generoso.

Fui vereador de Santo Augusto e estou no terceiro mandato como deputado estadual. Também fui secretário de Estado da Agricultura no governo Sartori, que novamente agradeço sua presença, a confiança e a oportunidade de integrar a sua equipe. E tudo o que fiz foi em conjunto, foi com diálogo, foi por muitas mãos, foi compartilhando. Foi com mais suor do que com genialidade. Foi de verdade! E é de verdade que nós precisamos ser.

É assim que quero ser como presidente da Assembleia, como chefe de poder. O cargo de presidente não deve ter a pompa da autoridade, mas a abertura da pluralidade – pois só assim será verdadeiramente representativo. Jamais acima dos colegas; sempre ao lado deles. Jamais para submeter a sociedade; sempre a serviço dela!

Obrigado, Senhor, pela graça da vida e pela proteção na caminhada. Obrigado por esta oportunidade e por este momento. Com Deus, tudo podemos. Sem ele, nada somos.

Obrigado, Alessandra – minha amada esposa, meu porto seguro. Maria Eduarda e Eduardo – meus amados filhos, obrigado pelo apoio e pela compreensão, principalmente pelos momentos de ausência. Obrigado, Alvorindo e Iracer – meus pais, pelos ensinamentos, princípios e valores. Obrigado, meus irmãos Flávio, Andréia e Ângela, meus tios, em especial Floris, Cláudio e Otávio, demais familiares e amigos que sempre nos apoiaram, torcem por nós e que hoje estão nos prestigiando.

Obrigado, Santo Augusto e Ijuí, terras de minha essência – e toda região. Obrigado, Progressistas – meu partido –, em nome do presidente Celso Bernardi. Obrigado, colegas de bancada, pela indicação de meu nome para assumir a Presidência. Obrigado, equipe do meu gabinete – suporte de todo dia. Tenho muito orgulho de ter um time com essa qualidade ao meu lado. Obrigado, colegas deputados. E obrigado, Rio Grande!

Vamos em frente porque o futuro tem pressa! Solidários entre nós – irmãos! – e fortes como Estado.

Atitude para um Rio Grande do Sul mais competitivo.

Muito obrigado!