O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo, recebeu nesta quarta-feira (3) pedido de apoio do ICI (Instituto do Câncer Infantil) para o projeto de lei que institui a política de atenção à oncologia pediátrica no Rio Grande do Sul.

Autor da proposta, o deputado Tenente-coronel Zucco também participou da visita. O objetivo do PL 467/2009, que já teve parecer favorável da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em março, é aumentar os índices de cura e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

No encontro, o presidente do ICI, Algemiro Brunetto, presenteou Ernani Polo com a máscara da coragem, assinada pelo jogador D´Alessandro, do Internacional, que apoia a instituição. Ao resumir ações e conquistas dos 28 anos de atuação do Instituto do Câncer Infantil, Brunetto chamou atenção para uma consequência atual da pandemia no dia a dia da instituição. Segundo ele, levantamento interno mostra que mais de 80% dos pacientes não estão fazendo o tratamento contra o câncer. Entre os motivos estão o adiamento ou cancelamento de consultas pelos hospitais e médicos ou por receio de contaminação com o coronavírus. “Muitas pessoas estão deixando de se tratar e infelizmente vão morrer”, avisou Brunetto.

Além de pacientes que não seguem o tratamento, outra preocupação é quanto à redução dos exames preventivos que permitem o diagnóstico precoce da doença. Nesse sentido, o projeto de lei de Zucco, que foi constituído a partir da Frente Parlamentar em Apoio ao Instituto do Câncer Infantil, pretende estimular o desenvolvimento de estratégias para viabilizar melhorias no modelo assistencial a crianças e adolescentes com câncer no Estado, garantindo acesso a exames e tratamento imediato em caso de confirmação do diagnóstico.

Segundo Brunetto, os centros especializados habilitados em oncologia pediátrica têm índices de cura superiores a 70%. Entretanto, muitos pacientes ainda são tratados em centros menos estruturados, com resultados abaixo do esperado. Em alguns casos, a chance de cura fica na faixa dos 30%.

Câncer infantojuvenil

Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), o câncer infantojuvenil é a primeira causa de morte por doença na faixa etária de 0 a 19 anos no Brasil, gerando significativo impacto para as famílias e sociedade. Ao contrário do que acontece com adultos, o câncer em crianças não tem fatores de risco associados reconhecidos, como tabagismo, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas, falta de exercícios físicos ou exageros na dieta. As causas do câncer infantil não são conhecidas, em razão disso, não existem métodos eficazes de prevenção. O sucesso do tratamento está relacionado ao diagnóstico precoce e no pronto encaminhamento para início do tratamento em centros especializados seguindo protocolos clínicos.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que anualmente ocorram cerca de 300 mil novos casos de câncer no mundo em crianças e adolescentes. Crianças com câncer de países de alto Índice de Desenvolvimento Humano podem ter até 85% de chances de sobrevida, entretanto em países de baixo IDH, as chances de sobreviver à doença são bem menores. Isso demonstra que o investimento na saúde da população afeta diretamente as chances de sobreviver ao câncer.