Durante a 8ª videoconferência do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico, ocorrida nesta segunda-feira (11), além da crise gerada pelo coronavírus, também foi abordada a vida pós-pandemia.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo, que conduz as reuniões desde 26 de março, declarou que a ideia do grupo é sempre estar à frente dos debates sobre o tema. Com isso, a reunião tratou também da organização dos setores produtivos pós-pandemia, com a apresentação de duas pesquisas sobre o que se espera após o fim das restrições impostas pelo vírus. “São exercícios que nos ajudam a balizar os trabalhos, nossos, dos parlamentares, como de outros setores na busca por caminhos para o enfrentamento da crise”, avaliou.

Em sua fala, o estrategista João Satt, do Grupo G5, apresentou o estudo denominado Uma Alternativa Estratégica para a Retomada do RS. “Buscamos entender o sentimento dos clientes e traçar estratégias competitivas. É fundamental que consigamos retomar a relação de segurança com consumidores e clientes, que estão amedrontados, para religar a economia. Percebemos que a insegurança financeira está vindo junto. Precisamos retomar a competitividade empresarial”, destacou.

Segundo Satt, há mais de 30 dias, as pessoas priorizavam itens de alimentação, saúde e educação, em detrimento de bens duráveis. Agora, o receio é ainda maior, o que trava mais os negócios. “Com medo da pandemia, 70% das pessoas pretendem mudar o seu dia a dia, construindo uma nova rotina. Esta mudança afetará todos os negócios, com um impacto enorme na economia”, analisou, acrescentando que na China a retomada se deu em marcha lenta, com o consumidor sendo menos emocional e mais racional. “Será preciso para as empresas reforçar sentimento de segurança, resgatar a confiança do consumidor. O apoio do governo também será essencial”, concluiu.

O presidente do Transforma RS, Daniel Randon, também apresentou uma pesquisa realizada pelo hub colaborativo, que representa o cenário pós-crise Covid-19 no Rio Grande do Sul. As principais ideias da apresentação sugerem cenários de uma nova realidade, posicionamento dos setores e consumidores e estratégias de Estado perante a nova realidade.

De acordo com o material apresentado, a primeira fase vivenciada nesta crise é a emergência no setor da saúde; a segunda fase seria a retomada da economia, com uma abertura controlada por protocolos; e a terceira, a recuperação dentro de uma nova realidade. Este, segundo Randon, seria o maior desafio aos setores empresariais e público.

“A nova realidade está situada dentro de um cenário de grande incerteza, onde temos uma abertura intermitente antes do cenário de pós-pandemia. Ela passa pelo papel do setor público – que é responsável pelas medidas emergenciais – a adequação do Estado, reformas estruturantes que induzem o surgimento de uma nova economia mais competitiva, inovadora e que gera oportunidades de negócios. À sociedade, cabem novos hábitos”, destacou, acrescentando também que estes novos hábitos devem partir de um comportamento convergente, responsável e esperançoso: “Sem dúvida, temos que ter um trabalho focado em pontos positivos, valorizando principalmente o incentivo ao consumo da produção nacional e local”.

Como estratégia, Randon sugere que seja fundamentada em vetores de crescimento econômico calcados em oportunidades, em ecossistemas produtivos e polos regionais. O presidente do Transforma RS acrescentou que a adaptação do Estado à nova realidade passa pela redução de custos, produtividade e transformação digital. Para ele, a competitividade implica uma reforma administrativa, tributária, além de parcerias público-privadas e concessões.