O presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo (PP), participou na tarde desta segunda-feira de uma reunião com chefes dos demais Poderes sobre o coronavírus. O encontro, conduzido pelo governador Eduardo Leite (PSDB), foi realizado no Palácio Piratini com a presença do vice-governador Ranolfo Vieira Júnior (PTB), do vice-presidente do Tribunal de Justiça, Ney Wiedmann Neto, do procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen, do defensor público-geral do Estado, Cristiano Heerdt, do presidente do Tribunal de Contas do Estado, Estilac Xavier, além do chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, da secretária do Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos, e do procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa.

O governador começou relatando medidas tomadas, como a suspensão das aulas na rede estadual a partir de quinta-feira (19), e a situação atual do coronavírus no Rio Grande do Sul, que até a manhã tinha seis casos entre os 176 confirmados no Brasil.

Eduardo Leite informou ao presidente da Assembleia que o governo encaminhará nesta terça-feira (17) um projeto de lei para a contratação emergencial de agentes de saúde e profissionais para o serviço de telessaúde, Lacen (Laboratório Central do Estado) e regulação de leitos. “Precisamos de um esforço para que se alongue a disseminação do vírus para não comprometer a capacidade de atendimento do sistema de saúde”, avaliou o governador, acrescentando que a adoção de medidas de restrição do contato social pelo mundo reduziu a propagação do vírus. Ele disse não descartar até dois meses de restrições a atividades com aglomeração de público no Estado.

Polo informou que, apesar da suspensão das sessões plenárias nesta semana, o Parlamento está de prontidão para apreciar os projetos do governo do Estado o mais breve possível. “A palavra de ordem é solidariedade neste momento de extrema dificuldade”, disse.

Na reunião, a secretária Leany fez uma apresentação de estatísticas da Universidade Johns Hopkins e projeções sobre a propagação do vírus em território gaúcho nos próximos dias sob três cenários, considerando o histórico recente de alguns países a partir do 50° caso confirmado. No cenário extremo (modelos de Itália, Coreia do Sul e Irã), o crescimento do número de casos foi de 10 vezes em sete dias e de 87 vezes em 14 dias. Se seguir essa projeção, o Rio Grande do Sul poderia ter 317 mortes entre 4.340 casos confirmados no período de duas semanas.
No cenário agressivo (França, Espanha e Alemanha), o aumento de casos foi de 8,7 vezes em sete dias e 71 vezes após duas semanas. No cenário moderado (Japão), o crescimento foi de 2,3 vezes em sete dias e cinco vezes em 14 dias.

No mundo, 25% dos países atingiram 50 casos confirmados em dez dias. O restante levou até 31 dias para alcançar esse montante. A secretária Leany relatou que os dados disponíveis até o momento não indicam relação entre a expansão do número de casos – após a 50ª confirmação – e a densidade demográfica de cada região. Os estudos também indicam que um maior percentual de idosos não significa mais mortes, pois Alemanha, Suécia e Áustria possuem indicadores semelhantes aos da Itália, mas registraram taxa de mortalidade muito menor.