O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo defendeu, durante a 12ª edição do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico, a habilitação de novos leitos e sugeriu foco na conscientização da população para os cuidados básicos que ajudam a reduzir a disseminação do coronavírus, como usar máscaras, higienizar com frequência as mãos e evitar aglomerações.

“Temos que trabalhar isso, da mesma forma como a questão da habilitação de leitos, o que nos evitará a sobrecarga e as bandeiras restritivas. Vamos levar adiante essa pauta, solicitando ao governo do Estado um cronograma de ações que viabilizem esta habilitação dos leitos. Seguiremos com nosso Fórum, em cima das iniciativas que nos tragam a retomada da economia para que o RS não seja penalizado ainda mais”, concluiu Polo.

O coordenador da bancada federal gaúcha, o deputado Giovani Cherini afirmou que o Rio Grande do Sul poderia ter quase 500 leitos a mais para tratamento de casos de Covid-19. “Em cem dias, em Porto Alegre, foram habilitados apenas 77 leitos. Por que não foram habilitados os leitos que a bancada gaúcha disponibilizou junto ao Ministério da Saúde, que foram 624 leitos?” Só 134 foram habilitados, “faltando 490 para o Estado”, segundo o parlamentar.

Pandemia transformou hábitos do consumidor, diz pesquisa

Uma das consequências da pandemia do coronavírus foi a transformação dos hábitos do consumidor. É o que aponta uma pesquisa divulgada na reunião desta segunda-feira. Na videoconferência, o estrategista João Satt apresentou a segunda edição da pesquisa “Medo x Desejo”, uma radiografia do comportamento das pessoas passados 90 dias de confinamento. No levantamento on-line, feito entre 28 de maio e 3 de junho, os entrevistados demostram medo de contágio do coronavírus, que supera o medo com o futuro das finanças pessoais e o desemprego. Um exemplo disso é que, apesar de 60% sentirem falta de frequentar locais físicos, 72% dos entrevistados informaram que pretendem levar 30 dias ou mais para voltar a ir a estabelecimentos comerciais após liberação. Somente 12% dizem ter muita vontade de voltar a frequentar lojas físicas.

Na comparação com o levantamento anterior, realizado de 1º a 4 de abril, o atual mostra o predomínio do digital, com o crescimento do delivery, das compras on-line e das aulas a distância. O consumo de bebidas alcoólicas também aumentou. Segundo Satt, os dados reforçam a digitalização, a conveniência e a comodidade do on-line, mas também a depressão da população. A pesquisa também mostra que 70% se sentem pessimistas em relação ao futuro, o que requer, na avaliação de Satt, ações efetivas dos governos para solucionar os problemas e motivar as pessoas.

A pesquisa revela mudanças na cabeça do consumidor, que estaria mais propenso ao consumo essencial. Isso significaria adquirir veículos mais econômicos – embora 72% afirmem que não têm interesse em trocar de carro agora –, vinhos nacionais e artigos de moda mais convenientes, que possam ser usados em casa ou em qualquer atividade social. No mercado imobiliário, devido ao home office, surge a tendência de procura por casas maiores e escritórios menores. Sobre os estímulos para comprar, os entrevistados relatam os preços baixos (60%) e o frete grátis (18%), um sinal da nova conjuntura do comércio.

Conforme o estrategista, os resultados da pesquisa indicam o crescimento do digital em várias esferas da vida moderna em detrimento dos estabelecimentos físicos, mudanças nos hábitos de consumo e o pessimismo com relação ao futuro, que gera inércia nas pessoas. Com isso, faz-se necessária, segundo Satt, a construção de novas estratégias pelos empreendedores e o rearranjo das cadeias produtivas para a superação da crise.

Queda na arrecadação de ICMS

Na mesma reunião, o secretário estadual da Fazenda, Marco Aurélio Santos Cardoso, apresentou dados sobre a queda de arrecadação de ICMS durante a pandemia. Cardoso mostrou a evolução da arrecadação de ICMS, que, em janeiro estava em ascensão, crescendo 4%, assim como em fevereiro 6,7%. Em março, começou a cair, 0,3%. Já em abril teve uma queda de 14,8% e, em maio, -28,5%. Em seguida, detalhou a evolução da arrecadação de ICMS por grupos especializados setoriais, nos quais as perdas chegam a quase R$ 900 milhões.

“A previsão atual da receita estadual é de uma queda bruta do ICMS em 2020, que pode variar de R$ 3,2 bilhões a R$ 3,8 bilhões, o que implica em um imposto líquido para o Tesouro Estadual de R$ 2,5 bilhões, em média. Este cenário corresponde a uma queda acumulada do PIB entre 8% e 10%, de acordo com as projeções mais recentes”, afirmou o secretário.