Primeira palestrante na 13ª edição do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico, a coordenadora do Comitê de Dados do governo do Estado, a ex-secretária de Planejamento Leany Lemos, destacou a preocupação simultânea do Executivo com os impactos do coronavírus na saúde e na economia. O encontro virtual foi coordenado pelo presidente da Assembleia, Ernani Polo.
Leany falou sobre os impactos da pandemia pelo mundo e o modelo de Distanciamento Controlado implementado pelo Executivo gaúcho. Segundo ela, vivemos atualmente um ambiente de extrema incerteza, que não é algo exclusivo do Rio Grande do Sul, e tem impacto na economia de maneira dramática. A ex-secretária frisou que a preocupação com a saúde das pessoas é o principal, mas também está no radar do governo os efeitos que uma recessão como a atual terá na vida das pessoas. “Desemprego e fechamento de empresas já estão sendo vistos. Nestes momentos de grandes crises, não há um lado ou dois. Temos que caminhar juntos para construir soluções, colocando desafios para nós individualmente e coletivamente”, comentou. Segundo a técnica, sair dessa grande crise vai exigir uma grande aliança da sociedade. 


Ela destacou que a pandemia mudou tudo no primeiro trimestre. “Estávamos colocando o Estado nos rumos quando chegou a pandemia. Tínhamos resultados positivos em todos os indicadores econômicos, mas a pandemia reverteu todo o quadro”, afirmou Leany, acrescentando que o coronavírus gera o maior nível de incerteza mundial desde 1960. 


O presidente da Assembleia Legislativa destacou o equilíbrio como principal postura a ser adotada por todos neste momento crítico. “Mais do que nunca o equilíbrio é necessário para enfrentarmos esta pandemia com todo o cuidado que ela exige, mantendo o bom senso, será possível proteger vidas e também minimizar os impactos sociais e econômicos”, frisou Polo.


Para o deputado, a situação atual demonstra que todos estão afetados de alguma forma, tanto os grandes empresários, quanto os médios e pequenos. Dois pontos fundamentais foram elencados pelo parlamentar como forma de minimizar a crise: a prevenção e o cuidado. Para ele, a possibilidade de um tratamento preventivo seria o ideal, mas, na ausência deste, a conscientização e a educação da sociedade quanto à higiene e demais formas de cuidado são a única forma de retomar as atividades com segurança.


Polo aproveitou ainda para convidar a todos os presentes para participar do Seminário “Juntos Para Recomeçar”, que ocorrerá em 24 de julho, promovido pela Assembleia. O seminário é uma contribuição do Parlamento na busca de soluções e troca de conhecimentos que se faz imprescindível neste momento em que o objetivo é preservar vidas e a economia do Estado.


Varejo em crise no Estado
Roberto Mirandoli, diretor da Deltasul, apresentou na reunião dados do comércio varejista no Estado. Além da empresa, ele falava em nome de grandes redes, como as lojas Lebes, Colombo, Quero-Quero, Grazziotin, Benoit, Becker e Pompéia. Juntas, essas empresas geram 25 mil empregos diretos e têm faturamento anual de R$ 10 bilhões. Ele reforçou que o coronavírus é uma crise que se inicia na saúde e que, através das consequências das ações que os governos tomam, impacta na economia. “Há um levantamento da Mckinsey sobre o que um governo pode fazer para estimular a economia e controlar a disseminação do vírus. O RS é um modelo que tem os seus méritos, tenta não fechar tudo, porém, com essa segunda revisão no Distanciamento Controlado, criou uma crise de confiança no Estado, uma queda de confiança pela falta de previsibilidade. Deixo um pedido para considerar que os eletrodomésticos sejam classificados como bens essenciais”, salientou.