Um dos mais afetados pelo isolamento social decorrente do coronavírus, o segmento de eventos se reuniu na manhã desta terça-feira (19), por meio de videoconferência conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo, para discutir protocolos e um calendário para a retomada gradual das atividades. Compreendendo a necessidade de se evitar aglomerações para prevenir a saúde das pessoas, o setor defende regras diferenciadas de acordo com o porte de cada evento e tipo de local de realização.

A solicitação da reunião partiu do grupo Live Marketing, que congrega mais de 200 empresas do setor no Rio Grande do Sul. Ernani Polo abriu a reunião comentando que, desde o início das restrições a atividades no Estado, há dois meses, a Assembleia está preocupada com o funcionamento dos setores produtivos, tanto que realiza desde 26 de março o Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico.

“O setor de eventos, muito importante para a economia, foi um dos primeiros afetados e deve ser um dos últimos a retornar. Precisamos buscar alternativas e, em próximas etapas, envolver mais pessoas nesta discussão”, informou o parlamentar, que defendeu a importância de protocolos para a retomada das atividades e para garantir mais segurança e confiança ao público.

Rodrigo Machado, da Opinião Produtora, relatou que vários segmentos econômicos já têm protocolos para retomada, mas que o de eventos ainda não. Por isso, o objetivo do grupo é elencar reivindicações e sugestões para apresentar ao governo do Estado. Num manifesto divulgado pela Live Marketing na quinta-feira passada (14), foram apresentados dados do mercado de eventos, como a representação de 4,3% do PIB por meio de 60 mil empresas em toda a cadeia de serviços, a geração de quase 2 milhões de empregos diretos e terceirizados e faturamento de R$ 209,2 bilhões (R$ 48 bilhões em impostos).

Eliana Azeredo, da Capacitá, relatou que o grupo do Live Marketing se reúne desde 2017, mas nunca imaginou cenário como o vivido atualmente em decorrência da pandemia, que fez com que 98% do segmento parasse. “Os eventos empresariais caíram muito. Estávamos com muito trabalho, mas nosso setor virou pó. Nosso mercado gera muito emprego e renda. Não podemos ser o último a voltar”, lamentou. O presidente do Conselho Regional de Relações Públicas, Luiz Fernando Muñoz, que também é cerimonialista e mestre de cerimônias, relatou a preocupação de todo o segmento e da necessidade de união para enfrentamento das dificuldades. “É importante trabalharmos com protocolos de acordo com o tipo de público, número de pessoas e regras de distanciamento. Precisamos de calendário para um possível retorno. Claro que não estamos falando em grandes eventos, mas pequenos, com adaptação, que puderem ser realizados”, argumentou.

A presidente da Agepes (Associação Gaúcha de Empresas e Profissionais de Eventos), Cláudia Fattore de Matos, deu a ideia de o grupo trabalhar, de forma paralela, numa ação de marketing que possa resgatar a confiança do público. Ela também sugeriu que a retomada se dê pelos pequenos eventos em ambientes externos, já que o mercado é bastante diverso nas áreas esportivas, culturais, sociais e temáticas. A dirigente defendeu o reconhecimento e a regulamentação do mercado, além de linhas de crédito para ajudar empresas em dificuldades.

Na reunião foi tratado, ainda, do pedido de apoio da bancada federal gaúcha para aprovar o projeto de lei 1.075/2020, que está sendo chamada de Lei de Emergência Cultural, que poderá garantir recursos de fundos federais para o setor no Rio Grande do Sul.