Em reunião virtual com a classe artística coordenada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo, o Banrisul anunciou o lançamento de um edital para o patrocínio de até 200 lives (apresentações de shows musicais ao vivo com transmissão pela internet). A seleção já começou para que os projetos selecionados se apresentem entre 14 de agosto e 31 de outubro. O valor é fixo de R$ 3,5 mil por live, o que pode totalizar até R$ 700 mil em apoio financeiro.

Diretor do Banrisul, Osvaldo Lobo Pires informou que a iniciativa pretende assegurar, no mínimo, dez vagas para projetos inscritos em cada uma das seguintes regiões do Estado: Alto Uruguai, Centro, Fronteira, Leste, Noroeste, Serra, Sul e Porto Alegre. Além disso, o banco está com linhas de crédito disponíveis para a classe artística, assim como para os demais segmentos que estão sendo afetados pelo isolamento necessário devido ao coronavírus. Segundo Pires, o Banrisul está liberando mais crédito atualmente do que antes da pandemia, num sinal de apoio e sensibilidade à situação das empresas e pessoas.

O presidente da Assembleia abriu a reunião relatando a dura realidade dos músicos e bandas do Rio Grande do Sul. “O setor de eventos, que gera muitos empregos diretos e indiretos, paralisou imediatamente, desde o início da pandemia. As lives ajudam a enviar algum apoio aos artistas, mas é preciso linhas de crédito”, avaliou Polo.

Vocalista da Banda Rota Luminosa e ex-integrante de Os Atuais, de Tucunduva, Marconi Voss falou em nome da União das Bandas de Baile. O músico relatou que o Estado tem cerca de 2 mil bandas de baile e grupos de música regionalista, que geram 40 mil empregos diretos, mas que apenas 300 ou 400 têm CNPJ, ou seja, registro como empresa, o que dificulta a comprovação de renda e garantias para a obtenção de crédito junto aos bancos. Lê Vargas, do Tchê Guri, complementou que a classe é empreendedora e que sempre “viveu às suas custas”, mas devido ao cancelamento de eventos, shows e espetáculos, as dificuldades são grandes. “Dizem que as microempresas não duram 23 dias sem faturamento. Nós já estamos há 90 dias assim”, lamentou.

Associação ao Pronampe

Vice-presidente do BRDE, Luiz Noronha destacou a importância do segmento artístico e de eventos e da necessidade de “atenção especial”, mas ponderou que a informalidade gera dificuldade para a concessão de crédito. Ele sugeriu a criação de um fundo garantidor de crédito pelas instituições públicas. Já a presidente do Badesul, Jeanette Lontra, afirmou que a instituição é solidária à situação da classe e está buscando alternativas. Ela anunciou que o Badesul está se associando ao Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), do Banco do Brasil, como uma das possibilidades de oferta de crédito.

O cantor César Oliveira, adido cultural da música gaúcha, relatou que o percentual de 40% de informalidade no segmento está nos mesmos patamares do restante da economia brasileira. Na presença de representantes dos bancos, ele aproveitou para relatar que, mesmo grupos mais consolidados como empresas formais, estão enfrentando dificuldades de acesso a crédito. Um novo encontro para continuar a interlocução da classe artística com os bancos será marcado em breve.

Informações sobre o edital do Banrisul no link: http://www.banrisul.com.br/BOB/LINK/bobw00hn_promocao.aspx?secao_id=1969