Motivado pela preocupação com as instituições de ensino diante das dificuldades geradas pela pandemia de coronavírus, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo, realizou audiência virtual nesta quarta-feira (29), com representantes de universidades privadas e comunitárias, bancos públicos, deputados e entidades ligadas ao setor, com o objetivo de ouvir os principais atores desta cadeia e traçar alternativas para o enfrentamento da crise.

Para o presidente do Legislativo estadual, o momento delicado pede cautela, equilíbrio e um olhar panorâmico, que abranja todos os elementos que integram o setor do ensino no Rio Grande do Sul:

“Todas as áreas estão sendo altamente afetadas, portanto, precisamos ter muito cuidado neste momento para que ações não sejam deliberadas de forma leviana e no futuro tenhamos consequências danosas ao nosso sistema. É preciso equilíbrio e, principalmente, um olhar amplo, abrangente, que contemple todos os aspectos na tomada de decisões”, explicou o parlamentar.

Outro grande temor do presidente da Assembleia é com as universidades comunitárias e privadas: “Tenho muita preocupação neste sentido, pois venho recebendo diversas manifestações de pais, alunos, docentes e comunidade em geral. Esta é uma questão que envolve toda a sociedade. Nas universidades comunitárias e privadas, por exemplo, a inadimplência ultrapassa os 50%. Isso coloca em risco a saúde financeira das instituições e pode, inclusive, gerar demissões”, completou Ernani Polo.

A presidente do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas – Comung e Reitora da Unisc, Carmen Lúcia de Lima Helfer, manifestou sua preocupação com as faculdades comunitárias diante da crise gerada pela pandemia: “o momento demonstra muitas dificuldades para as instituições de ensino comunitárias e privadas. Diante deste cenário, precisamos compartilhar alternativas para socorrer as faculdades”, externou.

Carmen Lúcia questionou sobre a possibilidade de renegociação e alongamento de prazos das dívidas das instituições de ensino, evitando que elas cessem seus investimentos e protegendo o setor do aumento do desemprego.

O presidente do Fórum das Faculdades Comunitárias (FORCOM) – Marcelo Blume, explicou que o setor de ensino vem enfrentando dificuldades há mais tempo e, diante da pandemia, a crise se agrava: “todas as faculdades comunitárias estão tentando sobreviver às dificuldades. Mas agora, com a intensificação da crise, se faz necessária uma ajuda especialmente aos estudantes, para que eles consigam dar continuidade aos seus estudos, dando também condições para que as faculdades permaneçam em funcionamento. É muito mais barato para o Estado formar profissionais em faculdades comunitárias do que qualquer outra possibilidade. Só atravessaremos esta crise se os estudantes tiverem capacidade de pagar suas mensalidades. E a melhor maneira de fomentar esta medida seria com a criação de um financiamento estudantil”, sugeriu.

O ex-ministro da Educação e atual diretor do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas, José Henrique Paim relembrou que a situação das universidades já era preocupante antes da Covid-19, por conta de cortes no Fies e dívidas tributárias. Agora, os problemas foram agravados pela inadimplência, alto custo com a folha de pagamento e dívidas. Ele defendeu a criação de linha de crédito para garantir capital de giro imediato e a implementação de mudanças no modelo de negócio por meio de um programa de melhoria de gestão, como forma de agregar novos serviços ao ensino e ampliar receitas. Paim ainda colocou o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal, à disposição para participar de uma reunião com os participantes da videoconferência.

O vice-presidente do BRDE, Luiz Noronha, comentou que a instituição está atuando com foco na repactuação de dívidas das universidades e avalia disponibilizar nova linha de crédito. Ele ponderou que a crise que afeta as instituições é mais antiga que o surgimento da Covid-19, mas colocou-se à disposição para construir linhas de crédito. Disse que um financiamento internacional estará disponível a partir de 2021, com “25 anos de prazo e condições atrativas”. Diretor do Banrisul, Osvaldo Lobo Pires também se dispôs a ajudar no que for possível, mas ponderou que o setor do ensino privado necessita de melhorias de gestão e modernização. Presidente do Badesul, Jeanette Lontra afirmou que a crise atual não tem precedentes. Segundo ela, o banco disponibiliza linhas de crédito e oferece repactuação de dívidas. “Temos de nos unir para ajudar as universidades e escolas particulares”, complementou.

A reunião também contou com a participação de diretores do Banrisul, Badesul e BRDE e deputados estaduais.