Por meio de uma videoconferência mediada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo, na manhã desta segunda-feira (11), o setor da proteína animal busca solução junto ao Ministério Público para a retomada das atividades nas unidades frigoríficas interditadas em Lajeado e Passo Fundo devido a casos de coronavírus.

O parlamentar destacou que os frigoríficos fazem parte de uma ampla cadeia de produção, num ciclo que não pode parar sob o risco de colapso e desestruturação de todo o setor.

Ernani Polo citou como exemplo o segmento dos suínos: se são abatidos 4 mil animais por dia, outros 4 mil estão nascendo, o que requer espaço nos alojamentos dos criadores. Há risco de abate sanitário dos animais devido à superlotação. “As empresas do setor seguem protocolos rígidos de segurança e prevenção à saúde, não só agora, mas sempre se pode melhorar”, comentou, acrescentando que um grande volume dos produtos é direcionado para a exportação, o que garante o cumprimento de criteriosas normas sanitárias internacionais. Segundo ele, é preciso derrubar a ideia de que esses estabelecimentos são foco de disseminação, “vilões” do contágio do vírus.

A suspensão das atividades dos abatedouros provoca problemas. O diretor executivo da Asgav (Associação Gaúcha de Avicultura), José Eduardo dos Santos, comentou que somente nas unidades de Lajeado e Passo Fundo são abatidas 19,3 milhões de aves por mês. Isso dá uma dimensão do impacto que a paralisação gera. José Roberto Goulart, presidente do Sindicato das Indústrias Produtoras de Suínos do RS, defendeu a necessidade de se chegar a um equilíbrio para a retomada da produção com regras de prevenção à saúde dos trabalhadores.

O procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen, afirmou que está ciente das dificuldades do funcionamento do setor com a suspensão das atividades dos frigoríficos, mas que essa nunca foi a intenção da atuação dos promotores. Ele informou que o Ministério Público está há 30 dias conversando com as empresas em busca de protocolos de funcionamento, mas que as medidas são insuficientes frente ao crescente número de casos nas cidades afetadas. O procurador relatou que a região é a única do Estado classificada com a cor vermelha, que impõe mais restrições às atividades econômicas. Ele ainda destacou que cinco dos 11 critérios do distanciamento controlado enquadram a região na bandeira preta, a mais severa. “Para avançar, teremos que construir um acordo com a Secretaria Estadual da Saúde e a Secretaria Estadual da Agricultura. Agora, não tem como não ser feita uma redução de funcionários, de turnos de trabalho e de produção”, declarou, complementando que a retomada integral das atividades não está no horizonte no momento.