O governador Eduardo Leite (PSDB) entregou pessoalmente ao presidente da Assembleia, Ernani Polo (PP), nesta terça-feira (17), dois projetos de lei que pretendem melhorar as ações de controle da pandemia de coronavírus. Uma das propostas prevê a contratação emergencial de 17 especialistas em saúde, nas áreas de farmácia, biologia, enfermagem e medicina. O outro projeto trata da reestruturação do quadro de funcionários da saúde pública, estabelece normas gerais de enquadramento e altera a tabela de vencimentos para o médico regulador de urgências e emergências.

O governador e a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, explicaram aos deputados, durante a Reunião de Líderes de Bancadas, a necessidade de ampliação de serviços de prevenção devido ao avanço do coronavírus, sob pena de haver desatendimento ou desassistência da população. Os projetos foram protocolados em regime de urgência, portanto, após 30 dias trancam a pauta de votações da Casa. Ernani Polo colocou em votação e foi aprovada a realização de sessão plenária nesta quinta-feira, às 14h, para a votação dos projetos. “O momento é de extrema responsabilidade”, destacou.

Na reunião, a secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leany Lemos, fez uma apresentação de estatísticas da Universidade Johns Hopkins e projeções sobre a propagação do vírus em território gaúcho nos próximos dias sob três cenários, considerando o histórico recente de alguns países a partir do 50° caso confirmado. No cenário extremo (modelos de Itália, Coreia do Sul e Irã), o crescimento do número de casos foi de 10 vezes em sete dias e de 87 vezes em 14 dias. Se seguir essa projeção, o Rio Grande do Sul poderia ter 317 mortes entre 4.340 casos confirmados no período de duas semanas.
No cenário agressivo (França, Espanha e Alemanha), o aumento de casos foi de 8,7 vezes em sete dias e 71 vezes após duas semanas. No cenário moderado (Japão), o crescimento foi de 2,3 vezes em sete dias e cinco vezes em 14 dias.

No mundo, 25% dos países atingiram 50 casos confirmados em dez dias. O restante levou até 31 dias para alcançar esse montante. A secretária Leany relatou que os dados disponíveis até o momento não indicam relação entre a expansão do número de casos – após a 50ª confirmação – e a densidade demográfica de cada região. Os estudos também indicam que um maior percentual de idosos não significa mais mortes, pois Alemanha, Suécia e Áustria possuem indicadores semelhantes aos da Itália, mas registraram taxa de mortalidade muito menor.

Leite, que estava acompanhado ainda do líder do governo, deputado Frederico Antunes (PP), do chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, e a secretária da Comunicação, Tânia Moreira, informou que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deverá vir a Porto Alegre ainda esta semana para uma reunião conjunta com representantes de Santa Catarina e do Paraná para tratar de ações preventivas frente ao vírus.