Extremamente atingida com o cancelamento de eventos, shows e espetáculos, a classe artística é uma das mais atingidas pelo isolamento causado pelo coronavírus no Rio Grande do Sul. A pedido de vários deputados, o presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo (PP), reuniu em videoconferência, na manhã desta segunda-feira (13), músicos, parlamentares, a secretária estadual da Cultura, Beatriz Araujo, e o diretor comercial de Distribuição e Varejo do Banrisul, Fernando Postal. Entre os pedidos da categoria estão a criação de uma linha de crédito específica, o patrocínio de lives (transmissões ao vivo de shows pela internet) e o incentivo ao lançamento de editais para projetos culturais.

Polo relatou que a maioria dos músicos gaúchos enfrenta dificuldades com o cancelamento de eventos e o fechamento de bares e restaurantes, onde as apresentações ocorrem. “Nossa intenção, com este encontro, é que se construa algo para os músicos e artistas, para que façam essa travessia e tenham condições mínimas de sobrevivência”, afirmou. Citando o exemplo de sertanejos com projeção nacional que realizaram shows ao vivo de suas casas, o parlamentar apresentou a ideia da realização de lives com patrocínio e pagamento de cachês, que poderiam agregar a arrecadação de comida por meio do Banco de Alimentos.

O deputado Zé Nunes (PT) informou que, na região sul do Estado, muitas bandas de música e profissionais que dão suporte a elas estão totalmente parados, com dificuldades para pagar seus integrantes e até prestações de ônibus utilizados no transporte dos grupos. Elton Weber (PSB) comentou sobre a necessidade de criação de linha de crédito de três anos de prazo com juros na faixa da taxa Selic. A sugestão também foi citada por parlamentares como Gerson Burmann (PDT) e Zilá Breitenbach (PSDB). Paparico Bacchi (PL), que relembrou seu passado na área artística, também pediu a criação de um canal na Secretaria da Cultura para orientação aos músicos sobre recursos disponibilizados, incluindo federais.

Luiz Fernando Mainardi (PT) sugeriu a realização de shows de música pela internet com pagamento de cachês e patrocínio do Banrisul, além da contratação antecipada de shows para eventos como a Expointer e outras feiras agropecuárias. Sua colega de partido Sofia Cavedon acrescentou que os editais também deveriam contemplar grupos de teatro e dança, com fomento da cultura por meio de incentivos a festas de municípios.

O músico e compositor João Luiz Corrêa avaliou que a ideia das lives é boa, uma vez que a contratação antecipada não seria adequada por falta de shows e eventos para comtemplar a todos. Ele relatou sobre iniciativa da Confraria da Música, que já arrecadou R$ 150 mil para a compra de cestas básicas. O cantor César Oliveira, adido cultural da música gaúcha, ponderou que as lives podem ter uma abrangência restrita, e que o ideal seria o lançamento de editais de apoio a iniciativas culturais e verba direcionada para formulação de novos projetos.

A secretária Beatriz Araujo se comprometeu a centralizar as ideias e manter contato com o Banrisul. Ela informou aos presentes as ações da pasta desde o início da crise gerada pelo cancelamento de eventos, como a flexibilização da realização de 192 projetos beneficiados com R$ 30 milhões de um edital. Além disso, falou sobre edital para lives e apresentações pela internet, linha de crédito junto ao BRDE e a captação de recursos via Lei de Incentivo à Cultura do RS. “Não será possível atender a todos com uma única ação”, adiantou.

Postal, diretor do Banrisul, informou que o banco está atento às dificuldades de todas as categorias, buscando alternativas como a repactuação de dívidas. Segundo ele, artistas que já têm conta corrente já podem fazer contato com os canais de atendimento. “Vamos levar as propostas apresentadas aqui para a reunião da diretoria”, completou.

Também participou da videoconferência o deputado Vilmar Zanchin (MDB).