Com atividades completamente suspensas desde março devido à pandemia, o setor de eventos e proprietários de quadras esportivas participaram, na manhã desta quarta-feira (2), de uma videoconferência mediada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo. Os participantes relataram dificuldades sociais e econômicas e expuseram ações, como a elaboração de protocolos, para cobrar do governo do Estado, por meio dos secretários Arita Bergmann (Saúde) e Rodrigo Lorenzoni (Desenvolvimento Econômico e Turismo), a retomada gradual das atividades ainda em setembro.

Em sua fala, Polo fez um apelo para que o governo do Estado tenha “sensibilidade” com os setores que estão proibidos de funcionar, usando os protocolos sugeridos para a definição de um calendário de retomada das atividades. “Precisamos entender o desespero desses empreendedores, que têm suas responsabilidades e obrigações a honrar. Que se crie, através desses protocolos, um cronograma de retomada. Vamos ter sensibilidade. A indignação deles é grande e temos de entender, precisamos ter alguma perspectiva”, afirmou.

Rodrigo Machado, da Opinião Produtora e um dos líderes do grupo Live Marketing, que congrega mais de 300 empresas do segmento, informou que os protocolos pedidos pelo governo do Estado estão prontos desde maio para o setor de eventos, que gera 500 mil empregos diretos e indiretos e movimenta R$ 2 bilhões por ano no Rio Grande do Sul. “A coisa não anda, não flui. Nós estamos cansados. Todos os nossos protocolos são elogiados pelo governador, prefeito, secretários, mas a coisa não anda. Não vivemos de elogios”, criticou.

Representantes do setor se queixaram da falta de isonomia com outras atividades que foram liberadas com restrições, como por exemplo templos religiosos e shopping centers. O grupo argumenta que, nos eventos, há controle total dos participantes. Além disso, não esperam autorização para grandes shows, mas, num primeiro momento, de atividades menores. Luiz Fernando Muñoz, presidente do Conselho Regional de Relações Públicas, opinou que a falta de previsibilidade de retomada cria um ambiente propício para o cancelamento de eventos previstos para os próximos meses, que poderiam minimizar as dificuldades da categoria.

O secretário Lorenzoni admitiu que pode estar ocorrendo uma injustiça com o setor de eventos e defendeu a reabertura gradual das atividades com protocolos de segurança. Já a secretária Arita informou que, numa reunião na segunda-feira (31), já começaram a ser avaliados protocolos para a volta dos eventos corporativos. Segundo ela, o governador Eduardo Leite tem relatado para o Comitê de Dados a importância do setor. “Já estamos fazendo estudos, as sugestões estão sendo analisadas, assim como as falas desta reunião serão avaliadas”, garantiu Arita.

Quadras esportivas


Bruno Carrão, um dos líderes da União Estadual de Quadras Esportivas do Rio Grande do Sul, apresentou um panorama das dificuldades do segmento, que, segundo ele, é formado por 4,5 mil estabelecimentos, gerando trabalho e renda para 18 mil famílias. “Desde março estamos parados. Seis meses completamente parados. É muita gente precisando de auxílio”, destacou.

Representantes do setor, que envolve atividades esportivas amadoras, avaliam que há espaço para a reabertura com regras e protocolos, uma vez que a maioria dos espaços é amplo, ao ar livre e com ambientes arejados. A intenção é evitar reaberturas clandestinas, que já estariam ocorrendo em alguns municípios do Estado.

A secretária da Saúde, Arita Bergmann, informou que irá levar o tema para análise, na semana que vem, ao Gabinete de Crise e ao Comitê de Dados, que tratam do enfrentamento à Covid-19.